Ginastas da Dinamarca se dizem com vergonha por topless em Copacabana
'Na Dinamarca isso é comum', disse treinadora da equipe nacional. Após flagra do G1 repercutir até na Europa, jovens ficaram tímidas
"Nós soubemos que uma foto saiu na imprensa e as meninas ficaram envergonhadas. Elas não sabiam que o topless é proibido no Brasil, porque na Dinamarca isso é comum”.
(http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/03/ginastas-da-dinamarca-se-dizem-com-vergonha-por-topless-em-copacabana.html)
No Brasil a mulher pode ficar nua:
- Na televisão
- Na playboy
- Nos comerciais
- No carnaval
- Nos filmes e novelas
Mas fazer topless, na praia, não pode: é atentado ao pudor.
Nos espaços “permitidos” a nudez feminina é sexualizada. Raramente uma cena de nudez é apresentada fora do contexto sexual. Daí que no imaginário do brasileiro toda mulher nua (homens também) é um objeto sexual, ele não consegue ver seios e bundas como uma região corporal qualquer, pois nudez significa, necessariamente, sexo.
Realmente fica difícil para o estrangeiro entender esta dualidade. Acho que ficaram com vergonha, não da própria nudez, mas da nossa mentalidade terceiro-mundista, não confundir com nudista.
Abraços naturais.
Aracaju-Sergipe
Este blog tem como proposta a discussão sobre naturismo e o encontro de sergipanos adeptos da prática naturista.
quinta-feira, 14 de março de 2013
domingo, 23 de dezembro de 2012
FELIZ NATAL, FELIZ ANO NOVO
Que...
A Paz, não seja guerreada.
O amor,
não seja desamado.
A
intolerância, não seja tolerada,
A fé, não
seja desacreditada.
A
liberdade, não seja aprisionada.
O
dialogo, não seja calado
A justiça
não seja injusta
O
preconceito, seja discriminado
E haja
discriminação do preconceito
....e que
a nudez não seja coberta.
Por um
mundo fraterno, livre e partilhado, onde a nudez seja uma opção e não uma
condição.
Abraços,
sábado, 6 de outubro de 2012
O animal que logo sou
Não resisti a tentação de publicar esta passagem do texto de Derrida.
O animal que logo sou
Jacques
Derrida
(EDITORA DA UNESP –
2002)
Freqüentemente
me pergunto, para ver, quem sou eu - e quem sou eu no momento em que,
surpreendido nu, em silêncio, pelo olhar de um animal, por exemplo os
olhos de um gato, tenho dificuldade, sim, dificuldade de vencer um incômodo.
Por
que essa dificuldade?
Tenho
dificuldade de reprimir um movimento de pudor. Dificuldade de calar em mim um
protesto contra a indecência. Contra o mal-estar que pode haver em encontrar-se
nu, o sexo exposto, nu diante de um gato que nos observa sem se mexer, apenas
para ver. Mal-estar de um tal animal nu diante de outro animal, assim,
poder-se-ia dizer uma espécie de animal-estar: a experiência original,
única e incomparável deste malestar que haveria em aparecer verdadeiramente nu,
diante do olhar insistente do animal, um olhar benevolente ou impiedoso,
surpreso ou que reconhece. Um olhar de vidente, de visionário ou de cego
extralúcido. É como se eu tivesse vergonha, então, nu diante do gato, mas
também vergonha de ter vergonha. Reflexão da vergonha, espelho de uma vergonha
envergonhada dela mesma, de uma vergonha ao mesmo tempo especular, injustificável
e inconfessável. No centro ótico de uma tal reflexão se encontraria a coisa - e
aos meus olhos o foco dessa experiência incomparável que se chama nudez. E que
se acredita ser o próprio do homem, quer dizer, estranha aos animais, nus como
são, pensamos então, sem a menor consciência de sê-lo.
Vergonha
de quê, e nu diante de quem? Por que se deixar invadir de vergonha? E por que
esta vergonha que enrubesce de ter vergonha? Sobretudo, deveria eu precisar, se
o gato me observa nu de face, face a face, e se eu estou nu aos olhos do
gato que me olha da cabeça aos pés, diria eu, apenas para ver, sem se
privar de mergulhar sua vista, para ver, com vistas a ver, em direção ao sexo. Para
ver, sem ir lá ver, sem ainda tocar nele, e sem lhe dar uma mordida, embora
essa ameaça permaneça à flor dos lábios ou na ponta da língua. Acontece aí
alguma coisa que não deveria ocorrer - como tudo que ocorre, em suma, um lapso,
uma queda, uma falha, uma falta, um sintoma (e sintoma, vocês sabem, quer dizer
também a queda: o caso, o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do
prazo, a má sorte). É como se, há pouco, eu tivesse dito ou fosse dizer o
interdito, alguma coisa que não se deveriadizer. Como se por um sintoma eu
confessasse o inconfessável e, como se diz, eu tivesse querido morder minha
língua.
Vergonha
de quê, e diante de quem? Vergonha de estar nu como um animal. Acredita-se
geralmente, mas nenhum dos filósofos que vou questionar daqui a pouco menciona
isso, que o próprio dos animais, e aquilo que os distingue em última instância
do homem, é estarem nus sem o saber. Logo, o fato de não estarem nus, de não
terem o saber de sua nudez, a consciência do bem e do mal, em suma.
Assim,
nus sem o saber, os animais não estariam, em verdade, nus. Eles não estariam
nus porque eles são nus. Em princípio, excetuando-se o homem, nenhum animal
jamais imaginou se vestir. O vestuário seria o próprio do homem, um dos
"próprios" do homem. O "vestir-se" seria inseparável de
todas as outras figuras do "próprio elo homem", mesmo que se fale
menos disso do que da palavra ou da razão, do logos, da história, do
rir, do luto, da sepultura, do dom etc. (A lista dos "próprios do
homem" forma sempre uma configuração, desde o primeiro instante. Por essa
mesma razão, ela não se limita nunca a um só traço e não é nunca completa:
estruturalmente, ela pode imantar um número não finito de outros conceitos, a
começar pelo conceito de conceito.)
O
animal, portanto, não está nu porque ele é nu. Ele não tem o sentimento de sua
nudez. Não há nudez "na natureza". Existe apenas o sentimento, o
afeto, a experiência (consciente ou inconsciente) de existir na nudez. Por ele ser
nu, sem existir na nudez, o animal não se sente nem se vê nu. Assim,
ele não está nu. Ao menos é o que se pensa. Para o homem seria o contrário, e o
vestuário responde a uma técnica. Nós teríamos então de pensar juntos, como um
mesmo "tema", o pudor e a técnica. E o mal e a história, e o
trabalho, e tantas outras coisas que o acompanham. O homem seria o único a
inventar-se uma vestimenta para esconder seu sexo. Só seria homem ao tornar-se
capaz de nudez, ou seja, pudico, ao saber-se pudico porque não está mais nu. E saber-se,
seria saber-se pudico. O animal, este, nu por não ter consciência de estar
nu, crê-se que permaneceria tão alheio ao pudor quanto ao impudor. E ao saber
de si que isso implica.
O
que é o pudor se só se pode ser pudico permanecendo impudico, e reciprocamente?
O homem não seria nunca mais nu porque ele tem o sentido da nudez, ou seja, o
pudor ou a vergonha. O animal estaria na não-nudez porque nu, e o homem na nudez
precisamente lá onde ele não é mais nu. Eis aí uma diferença, eis aí um tempo
ou um contratempo entre duas nudezes sem nudez. Esse contratempo
está apenas começando a nos incomodar, no que diz respeito à ciência do bem e
do mal.
Diante do gato
que me olha nu, teria eu vergonha como um animal que não tem o sentido
de sua nudez? Ou, ao contrário, vergonha como um homem que guarda o
sentido da nudez? Quem sou eu então? Quem é este que eu sou?A quem perguntar,
senão ao outro? E talvez ao próprio gato?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Parabéns, Sergipe!
Sergipe também é naturista. Neste último final de semana a FBrN entregou a Serginat - Associação Sergipana de Naturismo o certificado de filiação, em cerimônia ocorrida em Massarandupió.
Um grande salto para a consolidação do naturismo no menor estado brasileiro. Trata-se de um pequeno grupo que se mostra confiante em fazer de Sergipe um grande estado naturista, onde o naturismo seja respeitado e reconhecido. Com certeza não será fácil, mas a maior dificuldade foi superada: a falta de uma organização em prol desta luta.
Parabéns, Sergipe.
Um grande salto para a consolidação do naturismo no menor estado brasileiro. Trata-se de um pequeno grupo que se mostra confiante em fazer de Sergipe um grande estado naturista, onde o naturismo seja respeitado e reconhecido. Com certeza não será fácil, mas a maior dificuldade foi superada: a falta de uma organização em prol desta luta.
Parabéns, Sergipe.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Para o Naturismo crescer ainda mais...
Originalmente publicado no Jornal Olho Nu, edição N°
28 – janeiro de 2003
Escrevo esta mensagem motivado pela reflexão que me
ocorreu ao ler, na edição 26 do OLHO NU, duas chamadas da FBrN:
- Tire a roupa e VIVA NU!
- Arrisque e tire a roupa. Você só terá a ganhar!
São duas chamadas contundentes e fortes que
estimulam a nudez numa sociedade que se nega, em boa parte, em pelo menos
discutir o Naturismo (vide Congresso Nacional), ainda que se leve em conta os
inegáveis avanços no que se referem à mídia e oficializações dos espaços
naturistas.
Ao ler tais chamadas me ocorreu uma questão: quais
as condições reais de vivenciar o Naturismo no Brasil ?
Parece-me que não são tão fáceis, em especial para
a grande maioria das pessoas que residem afastadas das áreas ou grupos
naturistas, bem como para homens desacompanhados.
Apesar de possuir um extenso litoral e de ter sido
povoado, na sua origem, por índios que viviam nus, o brasileiro não vê a nudez
como algo natural. A nudez, no Brasil, ainda possui uma relação diretamente
proporcional com o sexo e o erotismo. Tal cultura se deve a influência
determinante da religião que durante séculos ditou o modo de ser e agir dos
seus fiéis, em especial no que diz respeito ao comportamento sexual. Deve-se
levar em conta também, o peculiar machismo do brasileiro que sempre viu a
mulher como objeto de prazer.
A partir dos anos 70, com a abertura política este
quadro começa a alterar-se, mesmo que lentamente, possibilitando que soprassem
novos ares, e assim idéias, antes inaceitáveis como o nudismo, começam a ganhar
espaço, notadamente nos centros com maior intercâmbio com a Europa. Com o advento
da internet o naturismo brasileiro ganha novo fôlego, fortificando o movimento.
Mesmo tendo um cenário mais favorável, o naturismo
ainda não possui o reconhecimento social, o que gera situações do tipo das
ocorridas no Rio de Janeiro e Tambaba (tentativa recente de redução da área
naturista) entre outras, obrigando o movimento naturista a um constante embate
para afirmação dos seus princípios, como também a adotar uma atitude de maior
reserva em relação aos pretendentes ao convívio naturista.
Para não me alongar muito e sem querer ensinar o
pai-nosso ao vigário, encerro defendendo duas teses que acredito serem
significativas para o crescimento do naturismo no país, juntamente com as
demais políticas adotadas pelo movimento:
1)
Incentivar a maior participação das mulheres no Movimento
Entendo que a participação
feminina é da maior importância, considerando que a adesão de uma pessoa do
sexo feminino, GERALMENTE, ocorre agregada com a adesão de outras pessoas
(maridos, namorados, irmãos etc.), o que NORMALMENTE não acontece com os
homens, que GERALMENTE aderem isoladamente. Acho ainda, que a medida em
aumentar a confiança das mulheres a possibilidade de fortalecimento do
movimento é maior.
2)
Necessidade de maior reflexão e estudos sobre o naturismo
Vejo a necessidade de consolidar
um pensamento naturista brasileiro, pois são poucos os trabalhos científicos
voltados para o naturismo. A importância de se pensar o Naturismo se dá pela
necessidade de sua fundamentação, para fugir do velho bordão de que se é
naturista pela “sensação de liberdade”. Temos que pensá-lo do ponto de vista da
Psicologia, Filosofia, Antropologia, Sociologia, Economia etc, de modo a
firmá-lo com segurança na sociedade sem correr os riscos de retrocessos, como
temos visto atualmente, pela incompreensão da sociedade.
Saudações naturistas.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Sergipe e o Naturismo
Após anos sem sinal de vida, eis que surge em Sergipe um grupo de pessoas interessadas em estruturar o naturismo no estado. É um grupo pequeno, são apenas seis pessoas, por enquanto, que estão conversando e dispostos a fundarem a primeira associação naturista nestas terras.
Acreditamos que em breve Sergipe deverá integrar o Movimento Naturista brasileiro, partindo na frente de grandes estados como Ceará, Pernambuco e Bahia que ainda não conseguiram estruturar um naturismo organizado. Sergipe é um estado pequeno e conservador, com aparentemente poucas pessoas interessadas a empreenderem um projeto naturista, o que não deverá desanimar o grupo, que se mostra disposto em levar em frente a idéia da criação de uma associação naturista alinhada com os princípios do naturismo familiar.
Acreditamos que em breve Sergipe deverá integrar o Movimento Naturista brasileiro, partindo na frente de grandes estados como Ceará, Pernambuco e Bahia que ainda não conseguiram estruturar um naturismo organizado. Sergipe é um estado pequeno e conservador, com aparentemente poucas pessoas interessadas a empreenderem um projeto naturista, o que não deverá desanimar o grupo, que se mostra disposto em levar em frente a idéia da criação de uma associação naturista alinhada com os princípios do naturismo familiar.
sábado, 9 de junho de 2012
EUREKA! Naturismo e Ciência
Sem dúvida a sociedade contemporânea
seria muito diferente se o conhecimento cientifico estivesse ausente da sua
construção. A ciência hoje é uma saber imprescindível, “normatizando” em muitos
casos nossas vidas, como por exemplo restrição do comportamento de fumar em
ambientes fechados.
A Ciência introduz-se em praticamente
todos os âmbitos de nossas vidas: familiar, social, sexual, trabalho etc. Busca
esquadrinhar a nossa existência, no sentido de desvelar o que ainda não foi
descoberto ou compreendido. Justifica esta “intromissão” com o argumento de que
o conhecimento dos fenômenos, sejam eles naturais ou sociais, permite-nos
enfrenta-los melhor, e em alguns casos, elimina-los.
Para o bem ou para o mal, não podemos
ignorar o poder que a ciência acumulou ao longo dos séculos. Se no seu
nascimento restringia-se a alguns iniciados ou sociedades secretas, hoje
qualquer “mortal” poder ter acesso ao saber cientifico, que a partir da Idade
Moderna intensificou a “popularização” das suas descobertas ou conclusões. São
vários, atualmente, os meios de divulgação aos quais a Ciência recorre, mas,
com certeza, a internet é o principal deles, a ponto de algumas revistas
cientificas deixarem de publicarem edições impressas adotando a publicação
virtual.
A pesquisa cientifica, fundamento da
Ciência, permite-nos desbravar “mundos” ainda poucos conhecidos ou de difícil
acesso. Seus resultados nos ajudam a lidar melhor com o mundo que nos cerca,
compreendendo-o, transformando-o, afetando-nos também, pois o nosso modo de ser
e relacionar-se com a vida, mesmo que muitas vezes não nos demos conta disso,
passa pelo filtro da ciência. Se durante séculos nossos modos de existência
foram fundados nos valores apregoados pelo Estado e pela Religião,
contemporaneamente, tal poder é divido com a Mídia e a Ciência.
Na medida em que entendemos mais a vida
e o mundo que nos cerca, nosso quadro de referência se amplia. Se estivermos
abertos ao novo, ao diferente daquilo que somos ou pensamos, acontece uma
revisão de valores fazendo com que algo que antes nos era estranho ou impensável,
naturalize-se em nosso referencial em virtude do salto da ignorância para o
saber. Daí o conhecimento cientifico ser importante, não o único, na
desconstrução de valores que nos levam ao preconceito, discriminação e a
intolerância.
Não é por acaso que os movimentos
sociais mais mobilizadores contemporaneamente, além de ações políticas e
midiáticas, adentraram no mundo acadêmico, na busca de um campo de debate que
lhes possibilitasse a construção de um pensamento consistente, de sustentação
ideológica e de reconhecimento público. Isso aconteceu com o movimento
feminista, o movimento negro, o movimento homossexual, o movimento
ambientalista. Uma rápida pesquisa ao site da CAPES (http://capesdw.capes.gov.br/capesdw/)
nos permite uma visão aproximada do grau de interesse da sociedade por tais
questões.
Na busca com os termos “movimento
feminista”, movimento negro”, “movimento homossexual”, “movimento
ambientalista” obtivemos as seguintes ocorrências em relação a produção de
teses e dissertações no pais desde 1987:
Palavra chave
|
Ocorrências
|
Movimento
ambientalista
|
1210
|
Movimento
negro
|
761
|
Movimento
feminista
|
459
|
Movimento
homossexual
|
91
|
Quando, repetindo o mesmo procedimento,
utilizando o temo “movimento naturista”, obtivemos 18 ocorrências, porém
nenhuma destas teses/dissertações apresenta como objeto de pesquisa o nudismo,
mas se referem às correntes de pensamento nos campos da Arte, Politica etc.
Utilizando variações dos termos, tais
como feminismo, homossexualismo e nudismo, temos os seguintes resultados:
Palavra chave
|
Ocorrências
|
Feminismo
|
1370
|
Homossexualismo
|
647
|
Nudismo
|
0
|
Mas, pesquisando mais detalhadamente
encontramos quatro trabalhos acadêmicos que apresentam o movimento naturista
como objeto de pesquisa, sendo uma tese (doutorado) e três dissertações
(mestrado). O primeiro trabalho foi defendido em 1992 e o último em 2009, nas
áreas de Antropologia, Ciências Sociais, Antropologia Social e Educação
Ambiental, são elas:
Titulo:
O nu e o vestido: uma etnografia fa nudez na praia do Pinho (1992)
Título:
“Vivendo “nu” paraíso”: comunidade, corpo e amizade na Colina do Sol (2005)
Titulo: “Da Praia aos Poros”: uma etnografia do naturismo na Praia do Abricó/RJ
(2008)
Título: A ética e a
estética dos corpos nus: um estudo de caso do naturismo como proposta de
educação ambiental (2009)
Comparando tais resultados com temas
voltados para questões sociais, a diferença torna-se bem maior:
Palavra chave
|
Ocorrências
|
Saúde
pública
|
7835
|
Violência
|
6171
|
Até a poesia, arte de “menor consumo”
entre os brasileiros, apresenta 3.486 ocorrências no banco de teses da CAPES,
indicando que um fenômeno não precisar ser popular para chamar a atenção da
academia. Por outro lado, os termos swing/troca de casais apresentam o retorno
de duas ocorrências. Coincidência, ou não, tanto o nudismo como o swing são
práticas que confrontam as regras morais socialmente vigentes.
Tomemos como exemplo a Universidade
Federal da Paraiba, com cursos de graduação e pós-graduação em Turismo, Sociologia,
História, Psicologia, Antropologia. Produz anualmente dezenas de monografias,
dissertações e teses, mesmo tendo seu principal campus localizado em João Pessoa,
a apenas 30 km de Tambaba, não desenvolve sequer uma pesquisa a respeito do
naturismo, o que seria “natural” tendo em vista Tambaba ser considerada uma
praia de nudismo conhecida internacionalmente, recebendo centenas de turistas
estrangeiros. Honrosa exceção encontramos em José Wagner, que luta para inserir
a questão do naturismo no cotidiano da Universidade, parecendo, no entanto,
obter pouco sucesso.
Olhando o outro lado da moeda, os
naturistas também não se mostram muito interessados em discussões cientificas
ou teóricas sobre o naturismo. Poucos buscam se apropriarem dos estudos e
pesquisas relativas ao tema. Luiz Fernando Rojo e Luciana Arraial foram os
únicos autores, que tenho conhecimento, que chegaram a discutir seus trabalhos
no meio naturista, e pelo que sei, em apenas uma oportunidade cada. Da mesma
maneira, dificilmente encontramos disponibilizados tais trabalhos em sites
naturistas, nem mesmo na página da FBrN, que deveria ser a maior interessada,
exceto com a monografia de João Carlos Lima (Meio Ambiente e Naturismo), sequer encontramos uma referência sobre textos
acadêmicos.
Cris Natal, propôs a criação de um grupo
de estudos sobre naturismo/nudismo via net, mas não conseguiu viabilizá-lo em
virtude da inexistência de naturistas interessados na proposta, salvo uma ou duas
exceções. Lá se vão alguns anos desta única tentativa de inserir a discussão
acadêmica no meio naturista, não ocorrendo, que eu saiba, mas nenhuma
mobilização neste sentido.
Penso que ao distanciar-se da Academia, o
Movimento Naturista relega ao limbo um importante espaço de reconhecimento
social da prática naturista. As trajetórias dos movimentos sociais - feminista,
ambientalista, negro, entre outros - reforçam nosso entendimento. Não há porque
mantermos tal distância, pelo contrário, o saber cientifico poderá contribuir,
e muito, para que a sociedade aceite que só queremos ficar nus.
Angatu!
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