sexta-feira, 23 de março de 2012

Naturismo: em qual lugar ?

Sergipe é o menor estado da federação, quase imperceptível no mapa do Brasil, espremido entre Bahia e Alagoas. Não é difícil encontrar alguém que desconheça que a sua capital é Aracaju.

Aracaju é agradável, medianamente arborizada, sem poluição, limpa e, frequentemente, ensolarada. Possui bons hotéis, restaurantes com cardápios que atendem a exigentes paladares. Os bares também são bastante frequentados. Carne de sol e caranguejo são tidos como os melhores acompanhamentos para a cervejinha. O caranguejo é tão popular, que temos a “Passarela do Caranguejo”, na qual podemos encontrar também comida japonesa, mexicana e um bom forró. Sua orla talvez seja umas das mais belas do nordeste, com lago, quadra de tênis, restaurantes variados, praças, e diversos locais que oferecem comidas típicas, como macaxeira e beiju. Um aspecto negativo é o trânsito, infernal nas horas de “pico”. Não possui muitos pontos turísticos, mas é uma cidade interessante, incluindo o interior do estado, para se passar uns bons dias.

Não tenho informações de grupos naturistas em Sergipe. Massarandupio-BA é a praia mais próxima, fica na Linha Verde, a aproximadamente 300 km de distância. Julgo que as praias sergipanas não são apropriadas para o naturismo, pois não apresentam a privacidade necessária para a prática. Frequentemente, na net, citam Abais e Pirambu como lugares possíveis de se tomar banho nu, mas acho arriscado. Um ex-prefeito de Canindé do São Francisco, propôs a criação de uma praia de nudismo no município, mais não chegou a realizar nenhuma ação concreta para viabiliza-la. Parece-me que a curto e médio prazos, o naturismo “em Sergipe” só nas terras bahianas.

A questão é: será que existe algum lugar em Sergipe onde se possa praticar o naturismo ?

domingo, 4 de março de 2012

A MULHER

Desde os tempos de Cabral a mulher brasileira é reconhecida como bela e deslumbrante, Caminha em sua carta ao rei de Portugal tece rasgados elogios às índias da nova terra. A natural nudez das índias mexeu com o português, fazendo com que a elas se referisse por diversas vezes.

Se para os portugueses a nudez indígena era digna de espanto, para os nativos consistia num modo espontâneo de encontrar-se no mundo. Não havia motivo para esconder o corpo, visto como uma unidade, sem “partes” vergonhosas ou indignas. Os corpos das índias exibidos nas mesmas condições dos corpos masculinos. As diferenças anatômicas eram compreendidas meramente como tais, sem nenhuma conotação diferenciada que impedisse a nudez tanto dos homens como das mulheres.

Não foi fácil para os portugueses cobrirem os índios, mas conseguiram. Fizeram da nudez, antes vivenciada cotidianamente, um ato abominável, vergonhoso e de grave pecado. Cobrir os corpos, especialmente os genitais, tornou-se uma necessidade, imprescindível para o convívio social, relegando a nudez para a sombra da imoralidade. As roupas passaram a compor a natureza humana. Despir-se em público significa uma regressão da civilização, sinônimo de primitivo.

Esta carga é maior sobre as mulheres, para as quais a nudez é proibida (exceto na mídia) seja porque uma mulher decente não anda nua, seja porque não possui um corpo perfeito para expor. Historicamente a mulher foi coberta, sob o argumento de constituir-se um perigo para o equilíbrio masculino, que poderia perder o controle com a visão da mulher nua. Ou seja, desde Eva que a mulher é responsável pelos descaminhos do homem.

Mas existiram, e existem, mulheres que desafiam tais normas e se desnudam a despeito da suposta “imoralidade” ou da imposição de uma estética opressora e angustiante. Tais mulheres, além de desnudarem seus corpos mostram coragem e determinação. Luz Del Fuego talvez seja o maior exemplo, considerando a época em que viveu e dos riscos que correu por acreditar e viver a nudez em meio a tanta repressão.

Parabéns a todas as mulheres naturistas!

Parabéns as mulheres exploradas, as que são vitimas de violências, as que lutam no dia-a-dia para cuidarem de suas famílias, as enfermas. Parabéns porque apesar dos infortúnios não desistem de acreditar na possibilidade mudança.
Parabéns para todas as mulheres! Santas, pecadoras, belas e guerreiras; por serem no palco da vida estrelas de primeira grandeza.

Que o dia 08 de março ajude aos homens entenderem que um homem só poder ser feliz com uma mulher feliz ao seu lado.  


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A MULHER E O PASSAPORTE

Não é novidade que o Brasil é um país machista. Todas as semanas, na mídia, nos deparamos com manchetes relativas a estupros, violência física ou assassinatos de mulheres, geralmente executadas por homens próximos às vitimas (maridos, pais, namorados etc). O homem brasileiro é um perigo para a mulher, comprovam a existência de mecanismos de proteção da mulher, tais como a Lei Maria da Penha ou as Delegacias para Mulheres.

Ainda para muitos homens, a mulher foi criada para o seu deleite, colocada à sua disposição, cabendo-lhe servi-lo, cuidando-o e satisfazendo-o. Não se trata, pois, de uma companheira ou parceira, mas de uma pessoa que está abaixo do seu status de “senhor”. Inegavelmente é uma realidade em significativa mudança, decorrente de ferrenhas lutas, em especial das feministas e organizações pró-mulheres, apesar de alguns focos de resistência, tais como a política (Dilma é uma feliz exceção), o futebol (quantas partidas de futebol feminino são transmitidas pela Globo ?) e....o naturismo brasileiro.

A prática do naturismo no Brasil tem como adeptos um contingente masculino superior a participação feminina, numa dimensão bastante considerável. Por razões históricas e relativas ao próprio gênero feminino, a mulher demonstra uma resistência em desnudar-se socialmente, e por consequência, em aderir ao nudismo. Fenômeno que, salvo engano, se repete em todos os países.

Daí que, sob o discurso de que um grande número de homens desacompanhados,  em grupos e ambientes naturistas, constrange e inibe o envolvimento de mulheres com o naturismo, a maioria de grupos e ambientes naturistas simplesmente proíbem ou controlam o acesso de homens que não estejam acompanhados de uma mulher.

Trata-se de uma grande falácia. Entendo que, encoberta neste discurso, temos uma atitude extremamente machista, tais como “se você não me traz uma mulher para que eu a veja nua, você também não poderá ver a minha mulher nua”. Claro que ninguém coloca esta ideia explicitamente, preferindo, logicamente, recorrer a inúmeros argumentos que “justificam” tal proibição. Mas por que é uma falácia ?

a)    Quantas mulheres foram consultadas a respeito desta “regra” ? O que elas dizem sobre a mesma ? Será que elas “precisam” desta “proteção” ?

Pelo que me consta, Luz Del Fuego estava muito pouco preocupada se a maioria dos frequentadores de sua ilha era homem ou mulher. O que importava era que estivessem nus/nuas e respeitassem as demais pessoas.

b)    Me parece que Maria Luzia, Glacy, Karina e outras tantas naturistas anônimas, por si só se fazem respeitar, sem dependerem da “guarda” masculina, assumindo intensamente o naturismo.

c)    Por exemplo, a praia de Abricó é democraticamente liberadab para homens sem companhia feminina, e não há registro de invasão em massa de homens ou o constrangimento habitual das mulheres.

No lugar de se fazer uma campanha educativa na tentativa de atrair as mulheres, o naturismo brasileiro buscar o crescimento através da repressão aos homens. Não interessa se a mulher que o acompanha seja  esposa, amiga ou prostituta (bem familiar!). O que importa que sem uma companhia feminina (seu passaporte), o mais autêntico naturista não entra. Isto é o mais puro machismo!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

VÁ ENTENDER…….(A NUDEZ DO BRASILEIRO)

Recentemente a revista Superinteressante lançou um suplemento dedicado a um tipo de turismo dito como bizarro. Não é difícil deduzir que entre tais viagens encontra-se a prática naturista. O site UOL também inclui o naturismo na relação de comportamentos bizarros.


Mas por que a sociedade que se diz civilizada, já no alvorecer do século XXI, ainda não consegue perceber o naturismo como um modo de ser propriamente humano ?

Registre-se que a reação contrária, pelo menos no Brasil, não se dirige a nudez em si mesma, propriamente dita, à nudez das pessoas de um modo geral. Provam, entendo, a liberdade com que os carnavalescos desnudam os foliões nos desfiles das escolas de samba; também, o fato de que ser capa da Playboy é um sonho alimentado por centenas de mulheres, inclusive jovens, algumas delas com irrestrito apoio de suas mães. Temos ainda, a nudez nas novelas, filmes, teatro, propagandas. São âmbitos nos quais a nudez é aceita, e em muitos casos desejada, tida como natural e até mesmo, necessária. A nudez deixou de ser pecado, não é mais considerada um tabu, compondo o cotidiano dos sujeitos, que a percebem já sem espanto.

No entanto, esta aceitação da nudez não vigora irrestritamente. Não é em toda e qualquer situação que os brasileiros vêm o nu com naturalidade, sem enquadra-lo como um ato imoral ou atentado ao pudor. Para nós, brasileiros, a permissão da nudez é dada desde que ocorra no plano da fantasia, lugar próprio da arte, lugar no qual estar nu não afeta a moralidade, a religiosidade, nem a cultura. Trata-se de um mundo a parte, que povoa sonhos e desejos inatingíveis para um imenso contingente de nativos, uma vez que, em virtude de uma series de fatores (cada um com seu impedimento), não se permitem, nem ao outro, a possibilidade da nudez além das tradicionais situações de banho, exame médico e relações sexuais.

Na época do carnaval não é raro acontecer a prisão de estrangeiros em virtude da nudez em público. Para eles é difícil entender a relação ambígua do Brasil com a nudez. Podemos ficar nus em publico no desfile das escolas de samba, no entanto, a simples prática de topless nas praias brasileiras geralmente se transformam em casos de policia. Uma prática perfeitamente aceitável em países não tão “liberais” como o Brasil, mas que ainda enfrenta muita resistência pelas bandas de cá. E o recente caso da aluna da Uniban, que dispensa comentários.

Pode ser até paradoxal afirmar, mas o Brasil é um país liberal em relação a exposição do corpo (desde que não haja o nu total). Basta lembrar que o biquini das brasileiras é o menor do mundo, na verdade mostra mais do que esconde. E o que dizer das capas da Playboy (e de outras revistas masculinas) livremente expostas na bancas de jornais, nas vias públicas, a vista de quem quiser ver. Poucos países apresentam tanta liberdade.

Entendo que na raiz de tal contradição, encontram-se a questão da sexualidade e busca insana pelo corpo perfeito. Mas isto fica para depois.

domingo, 2 de outubro de 2011

O que é nudez ?

Para os nudistas/naturistas a resposta parece óbvia: é o ato de tirar a roupa. Na verdade para que tem como único interesse ficar nu/a, pouco importam as filigranas conceituais sobre nudez, nudismo e naturismo.

No entanto, parece-me que o mesmo não pode ser dito em relação ao Movimento Naturista, que, em tese, se propõe a lutar pela organização dos adeptos e reconhecimento social da prática da nudez, tendo a necessidade de esclarecer para os não iniciados, o que é e o que não é nudismo/naturismo. Por outro lado, os que lidam com a pesquisa acadêmica têm como ponto inicial do seu trabalho a conceituação do objeto de estudo, de modo que seus leitores tenham clareza sobre o que esta sendo estudado, não podendo escapar, portanto, da conceituação.

           Não acredito que algum praticante defenda a idéia de que a Playboy e a Sexy produzem ensaios que podem ser classificados como naturistas. Nem eu, pois tais veículos exploram simplesmente a nudez das mulheres.  Temos que toda prática naturista implica em nudez, mas nem toda nudez tem o significado naturista. Então, quando a prática naturista se distancia da mera nudez ?

Marcia Souza Rego, na sua dissertação de mestrado “O nu e o vestido: uma etnografia da nudez na praia do Pinho”, entende nudez como sendo “os órgãos genitais expostos, no caso do homem, e os órgãos genitais e os seios, no caso das mulheres”.  Assim, temos que o topless, por exemplo,  não é nudez, imprecisão comum em títulos de reportagens jornalísticas. A nudez é o estado obrigatório no nudismo e no naturismo, não significando, no entanto, que todas as vezes que estamos nus, estejamos experimentando o nudismo ou o naturismo. O ato de despir-se para tomar banho, ter relações sexuais ou realizar uma consulta médica trata-se, meramente da realização de uma ação de pura nudez, que se encerra em si mesma.

Entendemos que na prática nudista, a nudez transcende a necessidade, incorporando uma escolha, uma opção em desfazer-se das roupas. Tira-se a roupa pelo prazer de ficar nu/a, por aceitar que um trabalho artístico justifica-a ou mesmo, a título de protesto ou exibicionismo. No nudismo, a nudez adquiri um significado além da própria nudez, que se relaciona com a expressão de liberdade de cada sujeito que se desnuda.  

O naturismo se diferencia do nudismo ao incorporar, na experiência da nudez, uma necessária relação de proximidade com outras pessoas e com o meio ambiente. Ou seja, praticar naturismo, pelo menos conceitualmente, implica em ter com as pessoas e o meio ambiente um cuidado, num modo de cumplicidade e respeito com os outros e uma atitude de preservação para com o ambiente. Não se trata, pois, de simplesmente ficar nu/a, mas de um estilo de vida no qual tirar a roupa constitui em apenas um aspecto, implicando em outros comportamentos incorporados a um modo-de-ser que se afasta do modelo individualista e consumista socialmente vigente.    


 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nudez castigada

O brasileiro tem uma relação dúbia com a nudez. Tolerante e apreciador quando a nudez se apresenta com as/os atrizes/atores, nas revistas, filmes, novelas, no carnaval e, principalmente na net. Porém, quando a nudez é próxima (consigo ou através do outro), aí se revelam a intolerância, o medo e a vergonha.
Não é raro, aqui em Aracaju, ouvirmos histórias de pessoas que por terem o hábito de ficarem nuas em seus apartamentos, provocam intensas discussões (leia-se reclamações, críticas etc) em seus condomínios, sendo motivo de grande incômodo para os demais condôminos. Em todos os casos a mim relatados, estes/estas “nudistas, naturistas”, foram “intimados/intimadas” a cobrirem suas vergonhas, em nome da moralidade familiar. Não sei dizer se foram obedientes às determinações ou se chegaram a ser processadas.
Não tenho noticias de movimentos de condôminos, pelo menos entre aracajuanos, pela melhoria dos salários dos empregados dos respectivos condomínios, ou, de indignados protestos pelo lixo que é jogado pela janela, nem contra os donos dos adoráveis cachorrinhos que sujam as calçadas com seus excrementos. Pelo visto, incomodam muito menos que a natural nudez humana, esta sim, perigosa e digna de vigorosas ações dos moradores. Não sei não, mas me parece que a sociedade esta fora de rumo......

domingo, 11 de setembro de 2011

A invisibilidade do naturista sergipano

Sergipe não tem praia (nem clube, nem associação...) naturista, não significando, no entanto, que nas terras sergipanas não existam adeptos do naturismo. Mas não é o que parece, pois os que fazem da nudez uma prática habitual neste estado simplesmente não aparecem. As vezes encontramos um ou outro que já visitou Tambaba, uns acharam interessante outros dizem que não fazem questão de lá voltarem. De alguns anos que me converti ao naturismo, até aqui, neste momento que escrevo nunca me deparei com habitante de Sergipe que se intitule naturista ou mesmo  um  apreciador da nudez.
Por onde andam os naturistas sergipanos ?